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Lavrando novos caminhos

 

O que falha é o sistema!

A mudança está na ação humana organizada!

 

VI Simpósio Internacional do Centro Mundial de Estudos Humanistas

Lima - Peru, 24-25-26 de Outubro 2018

Tradução de Eduardo Moraes

 

Introdução

 

Chegamos a este VI Simpósio Mundial num momento em que sofremos as consequências de uma crise sistêmica global que está levando a espécie humana ao risco de sua extinção. Falamos da “crise de sistema” para nos referirmos ao fracasso desse conjunto de valores, normas, políticas, ações que operam como substrato de crenças e atitudes (transfundo psicossocial) em favor dos interesses de uma ínfima, ainda que poderosa, elite mundial, que impõe as regras do jogo, organiza o poder que submete os Estados, as instituições e os indivíduos. Um sistema que coloca o capital e a acumulação como valor central e que ainda se sustenta sem o questionamento de uma parte importante da população mundial.

Essa desestruturação social global se manifesta na injustiça distribuição de riqueza que condena à marginalização, à fome e ao futuro incerto, milhões de pessoas. Um informe recente da Oxfam alerta que em 2017 82% da riqueza mundial gerada no ano foi parar nas mãos dos 1% mais ricos da população mundial. Esta desestruturação se manifesta igualmente na violência crescente, acompanhada de intervenções militares das grandes potências e o correlato terrorismo, na magra ação contra as mudanças climáticas e no estilo de vida consumista insustentável que põe em risco a casa comum. As maiores consequências são sofridas pelos mais pobres e, sobretudo, no fracasso do neoliberalismo, modelo econômico que mostrou sua verdadeira faceta e contradições ao gerar duas crises financeiras internacionais que golpearam a economia mundial produzindo um enorme desemprego e a proliferação da corrupção.

Na América Latina, essa realidade se expressa em instituições que vão perdendo credibilidade e começam a sucumbir socavadas pela corrupção, em meio à debilitação da democracia e à perda de direitos das populações; associações público-privadas, em particular, tem mostrado seu pior aspecto, dado os grandes escândalos de corrupção que as envolvem. Apesar de vários países terem realizado importantes esforços na última década, para promover um melhoramento da qualidade de vida das populações e reduzir a pobreza extrema, através dos chamados programas sociais, o mito do crescimento se expandiu em base ao consumo, produzindo em diversos lugares fortes restrições dos direitos sociais (saúde, educação, seguridade social) e o crescimento do desemprego.

Sentimos ao mesmo tempo com esperança o surgimento de uma nova sensibilidade que está emergindo das necessidades profundas de diversos grupos humanos, intenções que vão lavrando novos caminhos e nos orientando à construção de uma nova sociedade planetária na qual o ser humano emerge como valor central frente ao poder do capital. Assim podemos ver a admirável resistência de importantes setores dos movimentos sociais de diversas partes do mundo em defesa de seus direitos como é o caso do movimento das mulheres e dos jovens; nas tremendas manifestações contra as transnacionais e governos que vêm ensaiando com êxito outras formas de institucionalidade. Da mesma maneira, podemos ver como se expandem iniciativas nas quais se põe adiante o “nós” e se desloca o dinheiro como valor central da sociedade.

Neste momento, o VI Simpósio busca aprofundar a compreensão das raízes desta crise sistêmica, promover o intercâmbio de experiências e a reflexão sobre novos caminhos que nos conduzam até outro modo de vida e de sociedade, com as mudanças que necessitamos fazer e como realizá-las do modo mais efetivo possível.

Depende de nós! Somos 99% da população! Hoje mais que nunca temos a necessidade de propor e desenvolver estratégias que nos conduzam à grande mudança que queremos promover na sociedade latino-americana e mundial.

O Centro Mundial de Estudos Humanistas propõe este Simpósio como âmbito privilegiado de intercâmbio, pois só a comunicação e a ação conjunta permitiram construir o futuro querido pelo espírito humano, o nascimento de uma Nação Humana Universal cujo indignado clamor já está nas ruas e praças de todos os países do mundo.

Temática do Simpósio

Abrimos este espaço para propor, intercambiar e convergir em nosso olhar com distintos coletivos cidadãos, movimentos sociais, entidades públicas, universidades, centros de investigação social, científica e tecnológica que vêm cultivando e praticando em nível pessoal, político e comunitário o cuidado da natureza, a transformação econômica, social e espiritual da humanidade.

No final de outubro de 2018, durante dois dias, nos reuniremos na cidade de Lima em torno dos seguintes eixos temáticos:

Eixo 1: Novos paradigmas culturais

Em uma época crítica que reduz o ser humano a mero consumidor e asfixia suas profundas aspirações, urge refletir e imaginar novos caminhos para ir gestando uma direção histórica e pessoal que nos permita sair da encruzilhada, “atraver-nos a mudar crenças, olhares, paradigmas e condutas”. O neoliberalismo se impôs nas décadas de 80, 90, do século passado, não só como um modelo econômico, mas como uma mentalidade e uma determinada atitude frente ao mundo, como uma prática da convivência social, como uma forma de vida onde se rompem os laços sociais, substitui-se a solidariedade pela competência e o individualismo e se debilita e subordina o valor da vida humana.

Experimentamos uma grande base de coincidências entre muitos atores e movimentos sociais, de mulheres, jovens, educadores, profissionais, que mostram grande disposição a intercambiar entre iguais e a empreender coisas juntos.

Temas:

  • Transformações culturais, ética, valores e crenças.

  • Direitos Humanos e relações de gênero de paridade. Não-violência e reconciliação pessoal e social.

  • Educação humanizadora para a Paz e a Não-Violência

  • Ciência e tecnologia a serviço da Vida.

  • Novas sensibilidades nas artes e na cultura.

  • A espiritualidade em função da vida.

 

Eixo 2: Novos paradigmas político-sociais

Em um contexto de agravamento da desigualdade mundial, grupos de poder, alentados por ares autoritários de restauração conservadora e neocolonial, mostram-se decididos a impedir as mudanças que os seres humanos demandam. O velho estado-nação se encontra atascado a uma submissa impotência frente ao para-estado do capital financeiro internacional.

Frente a esta aparente inércia, constatamos com grande esperança o crescimento das iniciativas e propostas nos mais diversos lugares do planeta e do continente sobre a necessidade de uma organização mundial onde todos os povos e nações podem convergir e aportar em favor do desenvolvimento humano, da riqueza da diversidade cultural, da proteção da Vida, do avanço da democracia real -desde os espaços locais- , e do cuidado com a casa comum. Muitas experiências organizativas e sociais que estão mostrando caminhos diferentes necessitam ser reconhecidas, intercambiadas e potencializadas.

Temas:

 

  • Construção da Democracia Real em todos os níveis da sociedade

  • A construção da Unidade desde a base social

  • Direitos sociais para todos: saúde e seguridade social, a renda básica

  • Luta pelo desarme nuclear e convencional

  • Migrações: exclusão e morte ou solidariedade entre os povos

  • A participação dos povos originários na construção da utopia da Nação Humana Universal

  • Nova arquitetura institucional em perspectiva à construção da Nação Humana Universal

 

Eixo 3: Nova economia, natureza e sociedade

A espécie humana tem dado passos agigantados no desenvolvimento da ciência e da tecnologia, assim como tem produzido um grande excedente econômico, lamentavelmente acumulado em poucas mãos. Esses fatos não favorecem o cuidado da casa comum e menos ainda a distribuição do excedente produzido. Os paradigmas do crescimento econômico sem limites e da tecnologia como solução para os graves problemas ambientais, produzidos pelas gerações detentoras do poder, estão se tornando cada vez mais graves (aquecimento global, contaminação e degradação ambiental etc.)

Como humanidade temos atravessado uma das piores crises do capitalismo -duas crises financeiras internacionais em menos de quatro anos, a primeira em 2008-2009, tendo como eixo os Estados Unidos e, a segunda, em 2012, na Europa-. O desemprego no mundo tem aumentado notavelmente e a desigualdade econômica é imperante enquanto a população se vê enredada num redemoinho de consumismo. Um novo tipo de economia, um novo sistema de propriedade plural e condições que garantam que a população tenha uma renda digna e estável que lhe permita desfrutar da cultura, do intercâmbio com diversos países do mundo; do desenvolvimento da ciência e da tecnologia até o bem estar e o cuidado com a natureza. Esses são os desafios do século XXI.

Hoje no planeta inteiro se sentem vozes demandando e atuando para tornar real a declarada responsabilidade ambiental intergeracional; superar a crise climática; a internalização de custos ambientais com tecnologia de zero resíduos; uma alimentação saudável baseada na agricultura orgânica etc. Essas mudanças também carregam intrinsicamente a necessidade de repensar na raíz o tipo de economia que sustenta esse sistema em crise.  

Queremos um novo tipo de economia, com indicadores que desvinculem o crescimento da extração de recursos naturais. Uma economia de equidade e justiça social, de distribuição da riqueza e que incorpore o valor social do trabalho na produção, ou seja, uma forma de organização social, econômica e ambiental que coloque o ser humano como valor central da sociedade e um sistema econômico organizado desde suas leis básicas de forma social e ambientalmente sustentável.

 

Temas:

  • Saídas do neoliberalismo: um novo sistema econômico que coloque o ser humano como valor central frente ao capital e um substrato de base ambientalmente sustentável

  • Economia social e solidária (banco social, novos modelos produtivos, viabilidade da renda básica, entre outros)

  • Luta contra a mudança climática e a crise ecológica

  • Economia, ciência e tecnologia zero resíduos

  • Ação social organizada ambientalmente responsável

  • Aporte das culturas originárias à superação da crise ecológica global